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07/09/2018 ás 18h07

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A Estância

Avaré / SP

Jonatas Dantas abre o jogo e conta sua trajetória no cavalo
Um dos maiores investidores de Quarto de Milha no Brasil, visionário no mundo equestre e grande incentivador das Vaquejadas e esportes equestre por todo o país
Jonatas Dantas abre o jogo e conta sua trajetória no cavalo
Foto: Gabriel Oliveira

Do Nordeste para o Brasil. Jonatas Dantas leva o nome de seu pai, vaqueiro e criador de Quarto de Milha. Ele cresceu em uma família de nove irmãos, no interior da Paraíba, em Uirauna, e aos 17 anos foi morar no Rio de Janeiro com o tio. E foi aí que tudo começou, quando com a ajuda do tio comprou o que viria a ser o Parque Ana Dantas, em Xerém.


A vida do empresário se confunde com a história da Vaquejada no país. Mais do que vaqueiro, Jonatas é um apaixonado por cavalos. Sua trajetória está diretamente relacionada aos grandes raçadores como Roxão, na Vaquejada, Tres Seis, nos Três Tambores, e a matriz Hipocrisia Dash, na Corrida.


Fundador da Associação Brasileira de Vaquejada – ABVAQ, presidente do Clube do Vaqueiro do Ceará, presidente do Centro Hípico Oeste do Estado de São Paulo, membro nato do Jóquei Club de Sorocaba. Foi o idealizador da mobilização em Brasília, em prol aos esportes equestres. Para ele o cavalo é maior que tudo e a união tem que ser plena para se ter resultados.


Reproduzimos a seguir a entrevista exclusiva que ele deu à revista Tambor & Baliza. Confira!


Como começou no meio equestre?


Jonatas: O cavalo entrou na minha vida no interior da Paraíba, terra do meu pai. Ele criava e era fazendeiro. Fazia vaquejadas na cidade de Uirauna/PB e dentro disso nasceu minha paixão. Lembro-me do primeiro cavalo que ele corria, Peça Fina, um Quarto de Milha. Esse foi o começo da minha história com a raça.


Era pega de boi ou já a Vaquejada mais estruturada?


Jonatas: Nós tínhamos as duas coisas. A pega de boi trouxe a Vaquejada para dentro da cidade. Antigamente não tinha premiação, as pessoas iam para uma festa, tinha o show, que sempre fez parte das Vaquejadas, pois o Nordestino une a cultura da Vaquejada com o forró, festa e comida. A Vaquejada era realmente um evento de confraternização!


E como surgiu o Ana Dantas Ranch?


Jonatas: Em 1986, fui a um bolão de Vaquejada, em Xerém/RJ, e comprei uma pequena área de seis hectares. que tinha uma pista de Vaquejada. Ali nasceu o projeto Ana Dantas, o Parque Ana Dantas. Lá começou a nossa história e surgiram os grandes cavalos, com investimento nos melhores animais.


Como foi a escolha do nome do Haras?


Jonatas: Quis, na verdade, homenagear meu pai e meu tio. Então coloquei o nome da minha avó, Ana Dantas. O símbolo do Haras, uma menina com um cavalo, é a reprodução de uma foto feita por Álvaro Maia da minha filha mais nova, aos três anos de idade ao lado do Roxão.


Como o Roxão entrou na sua história?


Jonatas: Por investir e já fazer a Vaquejada de Xerém, veio a ideia de criar o primeiro garanhão para a Vaquejada, que fosse campeão da modalidade. Os que eram garanhões, nunca haviam corrido provas.  Eu sempre acreditei que encontraria um cavalo inteiro, e que ia fazer dele campeão e depois um garanhão. Foi quando surgiu o Roxão.  Ele era de Fortaleza/CE, mas o vi em uma competição em Alagoas. Um tordilho negro, bonito e prometendo muito.


Comecei a negociar e adquiri o Roxão. Fizemos toda a campanha dele em pista. Fiz por dois, três anos o Circuito Nacional Mastruz com Leite, onde o Roxão ganhou uma caminhonete entre 250 duplas. Corremos o Circuito Ford de Vaquejada, e ele ganhou uma Ford Ranger. Ganhou tudo que podia e me deu muito prazer, pois também cheguei a correr nele. O nome dele, na verdade, é Silver Wild SLN, e Roxão surgiu em uma votação na Revista Conexão Vaquejada, pois precisávamos de um nome forte.


Você foi um dos pioneiros em caminhões com grandes estruturas. Como foi essa transição?


Jonatas: Todos os cavalos da Vaquejada eram castrados, não tinha garanhões, pois o castrado afinava o pescoço e dava o suporte para se agarrar. Os cavalos ficavam todos soltos juntos. Quando fiz o projeto do Roxão, montei um caminhão todo estruturado, com curral. Fui pioneiro por conta do dele. Outro diferencial foi que antes os caminhões tinham o nome dos parques e eu passei a vender a imagem do cavalo Silver Wild SLN – Roxão.


Em mais um quesito você foi o pioneiro, realizar leilões só de Vaquejada. Promoveu um exclusivo em Xerém. Como isso na época?


Jonatas: Antigamente não tinha leilões nas Vaquejadas e nós fizemos em 2001 o 1º Leilão de Vaquejada. Também foi o lançamento de um garanhão, cotizando-o. Vendemos 50% por 20 mil cada cota. Vários criadores compraram.


Foi ali o lançamento do projeto Roxão. Nesse leilão eu comprei éguas, barriga. Por exemplo, sempre pensei no Tambor e na Vaquejada, comprei Dancer Toro Hes, a mãe da Brasita Moon ZO. Várias outras éguas importantes, como a barriga da Cromita MA 10. Fiz uma pista, uma prova e coloquei dois carros em um guindaste, porque diziam que eu não ia dar a premiação.


Lembro até quem ganhou na época, Miguelzinho na Henna Leo. A menina dele ganhou a moto na Henna Leo também. Nessa mesma prova, seu Evandro Guerra foi e vendeu uma égua Shady Leo para o Odilon Diniz (B2B Ranch), que é a mãe da B2B Lovergirl Rolls, a Magnólia Shady. Assim foi o primeiro leilão de Vaquejada.


O projeto do Clube do Vaqueiro foi na sequência, com a promoção do 1º Leilão Oficial da ABQM Nordeste. Conte-nos um pouco.


Jonatas: No projeto do Clube do Vaqueiro, em Fortaleza/CE, fizemos o 1º Leilão Oficial da ABQM Nordeste. Deu inclusive até movimento, mas quem criou fui eu. A gente dava 2% para ABQM do vendia e ela não entrou com nada. E foi o maior leilão da história, isso em 2003. Vendemos Eternaly Steel, nesse pregão. Foi quando parei com Xerém.


Como foi a vinda do Ana Dantas para São Paulo?


Jonatas: Parei de fazer as provas em Xerém, foi então que comecei a procurar por um Haras no estado de São Paulo. Adquiri em 2007 a propriedade que era do Seu Valter Wolg, em Boituva. O Ana Dantas tem a história dele na Vaquejada com o Roxão e na Corrida com a Hipocrisia Dash. Uma égua que ganhou as três maiores corridas do Jóckey Club de Sorocaba: Torneio Início, Brazilian Futurity e Megarace. Paguei R$ 600 mil por ela, chamaram-me de louco, mas é um dos animais que mais deu história para nós.


Fale da sua inserção no Jockey Club de Sorocaba.


Jonatas: Comecei a frequentar o Jockey pouco antes de 2007 e investir em animais, como a Hipocrisia Dash que me deu muitas alegrias. E aos poucos fui comprando as ações, olhando sempre o lado do cavalo. Hoje nós somos sócios majoritários, temos quase 50%. O JCS foi fundado pelo grupo de criadores do Centro Hípico do Oeste e era uma propriedade S.A.


O proprietário é o Centro Hípico e tem uma concessão do Jockey, quem elege presidente do JCS é o presidente do Centro Hípico. Atualmente o presidente do JCS é o Mauro Zaborowsky, que está fazendo um trabalho maravilhoso financeiro e de bem-estar animal, dando continuidade no que o Érico Braga fez. Cada um acertou um lado do negócio. Este ano, por exemplo, todas as corridas têm exames de antidoping. No dia 30 de junho, houve um leilão com 100% de doação para instituições.



Jonatas Dantas e Roxão


Você entrou para o Tambor realmente através do Tres Seis.


Jonatas: Na época daquela crise americana, aconteceram esses grandes cavalos. Estava comprando com o Condomínio Stone, mas eles declinaram do negócio. A Denise, da Central Rancho das Américas, ficou sabendo que o Guy Peixoto e o Ivan Melo iam trazer o Tres Seis e me ligou. Formamos então o Condomínio Tres Seis. Graças a Deus, fizemos um grande negócio e nos tornamos grandes amigos. E está aí este garanhão com a importância que é hoje. Escutei do Lance Graves que, naturalmente, o Tres Seis será o sucessor de Dash Ta Fame no Tambor, isso é fantástico!


Em 2016, as Vaquejadas começaram a serem freneticamente perseguidas pelas Ongs de proteção animal. E você, por todo seu conhecimento, montou uma frente em prol dos esportes equestres. Não somente Vaquejada, incluindo os Rodeios. Como foi esse processo?


Jonatas: Na realidade, são duas modalidades que sempre foram atacadas, os Rodeios e a Vaquejada. Fizemos uma lei de 1996 no Rio de Janeiro, tanto no estado como no município de Duque de Caxias, reconhecendo a Vaquejada e o Rodeio como patrimônio cultural e esporte, legalizando-o. Mas sempre tinha questões referentes às práticas de bem-estar animal.


Nesta época, muitas pessoas não quiseram se envolver, mas se ‘pegarem’ a Vaquejada, outros esportes vão junto. Fomos então, através da Bandeira da Vaquejada, até Brasília/DF. A Vaquejada estava no foco, nossa cultura é muito forte, enraizada. O Brasil, inclusive, tem Deputados que estão neste meio, como o próprio Otto Alencar que criou a PEC e abraçou a causa.


A meu ver, o mais importante é a união das modalidades equestres. Tem que ter união para um bem maior que é o cavalo. Temos que chegar todo mundo junto. Nós somos os esportes equestres, somos maiores que a indústria automobilística, milhões de empregos e receita.


A exemplo, o quanto a cidade de Avaré/SP perdeu por conta de um promotor mal informado. Se eles não querem os maus tratos animais, nós também não queremos. Mas só combatemos essa situação tendo leis que amparem isso, que fiscalize e regulamente.


Qual sua opinião em relação ao que ainda tem que ser feito?


Jonatas: Nós somos muito grandes e eles muito pequenos, mas no ativismo inverte a situação. Nosso pessoal se acomoda. Acham que aprovamos uma PEC e está resolvido, mas temos um caminho imenso para andar. O Ana Dantas é 100% Quarto de Milha e eu sei quanto gasto hoje numa associação.


Hoje a ABQM é a maior entidade de raça do Brasil, tinha que tomar de frente essas questões, com investimento. Ter um departamento jurídico com escritório maior, trazer os professores de universidades, estudiosos e criar uma câmara de bem-estar animal.


Até digo que a ABQM, dessa taxa de fomento que pagamos, tinha que tirar R$ 100,00 para estudo cientifico, para bancar o jurídico, dividir a conta para todo mundo. Mas, infelizmente, se não abrir o olho, vai ficar uma associação com muito dinheiro e cheia de problemas.


Desde que criei a ABVAQ, fiz tudo que podia fazer, porque não tinha uma associação que legalizasse a Vaquejada, que fizesse um trabalho de regulamentação dentro do próprio esporte. De presidente em presidente, fomos ganhando terreno. Quando teve o processo no Ceará, Cuca, que um dos maiores usineiros do Brasil, pelo amor que ele tem ao cavalo e à Vaquejada, conduziu de uma maneira magnifica todo o processo.


E nós temos que ter via Associação, e quando cito ABQM porque é da nossa raça e financeiramente a que tem mais recursos, tem que se preocupar urgentemente com profissionais capacitados e não apadrinhamento. Não importa o que seja, se professor da USP, veterinário, esse é o caminho. O que for feito por lá servirá para termos respaldo em tudo que for apresentado contra os esportes.


Como você mesmo disse, a bandeira levantada é dos esportes equestres, e por conta disso, já estão com ações junto ao Laço, devido os embargos de Avaré e ANLI. Quais ações pretendem para ajudar nessa situação?


Jonatas: Tivemos uma reunião na FIESP, que é uma entidade neutra, e temos que defender as nossas modalidades. Eu acho que está chegando a hora e o mais importante disso tudo é a união, independente da raça, temos que nos unir pelos esportes equestres. Só na Vaquejada o desemprego é de 800 mil pessoas se ela acabar.


E a cadeia da indústria do cavalo é gigante. As associações precisam realmente encarar isso como um problema sério. Sempre coloquei isso, desde a mobilização que criamos em Brasília. A gente luta por uma paixão, não tem mérito para ninguém, é o cavalo, pois quem ganha é o cavalo. A ABQM tem que estar junto, todos em uma mesa. Quem não tiver a favor da união, está fora. Nosso momento não é político.


Sobre estarem negociando com Professor Tenório para que novos estudos sejam feitos para acrescentar aos processos e que as modalidades de Vaquejada, Laço sejam regularizadas em cima do que é estudado, o que pode nos dizer?


Jonatas: Estive com o Professor e conversamos bastante. Inclusive nos ajudou num processo no Rio de Janeiro. E quando teve o processo do Laço, que o Caco Auricchio, presidente da ANLI, me procurou, falei com ele. O Tenório disse que tem jeito, que hoje existe um equipamento que coloca na sela, que ajudaria muito nos estudos em prol ao Laço. Tivemos uma reunião com pessoal de Barretos e o Tenório. Temos do nosso lado agora o presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária. E tem mais, na Festa do Peão de Barretos vamos nos encontrar com os candidatos a presidenciáveis, para eles já terem o compromisso de abraçar a causa.


Qual a mensagem final que deixa para os amantes dos esportes equestres?


Jonatas: É uma luta pela nossa paixão, que é o cavalo. Para mim tanto faz ter isso aqui ou não, é um hobby. Deus foi muito bom comigo, é muito bom, porque me deu mais que um cavalo! Por isso que digo que a grande palavra hoje é: União do Cavalo, das modalidades, do esporte equestre. Nossa ideia sempre foi não ver a pessoa. Como o seu Ovídio Vieira diz: ‘vamos ver a floresta e olhar para frente’!

FONTE: Por Verônica Formigoni e Juliana Antonangelo

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