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Brasil

09/07/2018 ás 13h47 - atualizada em 09/07/2018 ás 13h54

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A Estância

Avaré / SP

Exposição no Rio traz obras mantidas em apartamento onde Djanira morou
De origem humilde, a paulista de Avaré chegou em 1939 ao Rio, onde abriu uma pensão frequentada por artistas como Milton Dacosta (1915-1988) e Carlos Scliar (1920-2001).
Exposição no Rio traz obras mantidas em apartamento onde Djanira morou
Galo': pintora trabalhava temas populares de forma sofisticada

No apartamento em que morou durante boa parte da vida, em Santa Teresa, Djanira (1914-1979) produziu muitas de suas telas, gravuras e desenhos. Depois de sua morte, mais de 800 obras que permaneciam com ela foram doadas ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), enquanto alguns outros trabalhos ficaram na casa, de posse do viúvo da pintora, o poeta e historiador José Shaw da Motta e Silva, o Motinha. Parte deste acervo será exposto a partir de sábado, na Galeria Evandro Carneiro Arte, na Gávea. Carneiro, que foi um dos leiloeiros mais conhecidos do Rio até abrir sua galeria, no mês de abril, destaca que a seleção de obras é pontuada por esse caráter intimista, que traz a presença da artista como se estivesse produzindo em casa.


— Não havia uma pretensão de abarcar diferentes aspectos da obra da Djanira, a intenção era fazer uma síntese de sua produção. Queria que a mostra tivesse o clima da casa, com as obras com que ela conviveu durante tantos anos — diz Carneiro.


As 20 peças selecionadas, que vão estar à venda, fazem parte do acervo de Rachel Trompowsky Taulois da Motta e Silva, que foi amiga de Djanira e se casou com Motinha após a morte da pintora. O galerista também manteve uma longa convivência com a artista, que define como um “exemplo de brasilidade”.


— Ela era uma pessoa muito afável, cativante e extremamente culta — relembra Carneiro. — Fazia uma arte popular, mas com uma sofisticação única, de forma semelhante ao que o Pixinguinha fez na música. Era uma artista única.


 


De origem humilde, a paulista de Avaré chegou em 1939 ao Rio, onde abriu uma pensão frequentada por artistas como Milton Dacosta (1915-1988) e Carlos Scliar (1920-2001). Poucos anos depois, a pintora autodidata consolidaria seu nome entre os artífices do modernismo no país, sempre buscando inspiração em cenas do cotidiano e nas paisagens brasileiras. A temática faria com que Djanira fosse classificada como naïf ou primitiva, rótulo do qual a pintora se livrou no decorrer da carreira.


— Como Portinari, Djanira soube representar com perfeição a alma brasileira. Em comparação, eles fizeram caminhos contrários nesse sentido. Portinari partiu da erudição para chegar ao popular, enquanto Djanira alcançou com sua arte espontânea um resultado primoroso — associa Carneiro


Nome por trás de vendas de obras de arte durante 40 anos, Carneiro aposentou o martelo de leiloeiro para se dedicar ao projeto da galeria própria. As três primeiras exposições que montou foram relacionadas à arte popular — antes de Djanira, a galeria exibiu esculturas em cerâmica e obras da artista naïf Miranda (1907-1985), com o acervo de Jacqueline Finkelstein, ex-diretora do Museu Nacional de Arte Naïf (Mian), que fechou suas portas em 2016. A galeria, no entanto, tem uma proposta mais abrangente.


— Gosto muito de arte popular, tenho uma coleção de paisagens do Rio assinadas por pintores naïf. Mas, até pela minha trajetória profissional, tenho um gosto bastante eclético para arte — comenta Carneiro, um dos fundadores, em 1971, da Bolsa de Arte do Rio. — Embora seja parte do mesmo mercado, quis abrir a galeria para ter mais tempo para me dedicar aos meus projetos. Sempre vendi os acervos que chegavam para mim, agora senti que era hora de ter mais liberdade criativa.


Para o ex-leiloeiro, a experiência na antiga atividade ajuda a identificar novos talentos que possam vir a expor na galeria:


— O mercado tem suas variações e tendências, o que tem impacto direto na valorização de determinados nomes ou movimentos. E há muitas variáveis neste caminho, nem sempre quem surge com boas possibilidades consolida uma carreira. Mas há algo que se identifica numa obra, e não se explica, que indica o potencial de um artista e até onde ele pode ir. Aliada a um trabalho consistente, é essa potência que faz diferença na trajetória dos artistas que chegam a um bom patamar.


“Djanira”


Onde: Galeria Evandro Carneiro Arte — Rua Marquês de São Vicente 124, Gávea (2227-6894). Quando: De seg. a sáb., das 10h às 19h. Até 11/8. Abertura: 14/7. Quanto: Grátis. Classificação: Livre.

FONTE: O Globo

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