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18/11/2017 ás 13h50

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Avaré / SP

Piracicaba recebe verba de indenizações para construir hospital de Câncer
TRT da 15ª Região oficializou o repasse de R$ 27.850.533,37
Piracicaba recebe verba de indenizações para construir hospital de Câncer
Crédito: Antonio Trivelin O evento aconteceu nesta quinta-feira (16)
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, de Campinas (SP), oficializou, nesta quinta-feira (16), o repasse de R$ 27.850.533,37 à Associação Ilumina, para a construção do Hospital de Câncer de Piracicaba e a aquisição de uma carreta que fará o trabalho de rastreamento da doença nos bairros da cidade. O recurso é proveniente das milionárias indenizações pagas pelas multinacionais Shell e Basf, responsabilizadas pela Justiça por contaminações no solo e no lençol freático, em Paulínia (SP).

O terreno que vai abrigar a sede da unidade oncológica - área de cerca de 10 mil metros quadrados localizado no bairro Pompeia -, doado pela Prefeitura de Piracicaba -, já foi limpo e, a partir da semana que vem, já devem ser iniciados os trabalhos de terraplanagem. A expectativa da médica Adriana Brasil, presidente da Ilumina, é concluir o complexo médico em até 15 meses.

A solenidade foi no auditório do TRT da 15ª Região, em Campinas. O presidente do órgão do Poder Judiciário Federal, desembargador Fernando da Silva Borges, que fez o repasse do valor à gestora da Ilumina, lembrou que além dos prejuízos ambientais o caso Shell “atingiu um grande número de trabalhadores”.

“É um processo imenso. A condenação, na época, superou R$ 1 bilhão e houve um acordo, no processo já lá no TST (Tribunal Superior do Trabalho), onde foram destinados R$ 200 milhões para coberturas de dano moral coletivo. E esses valores estão sendo distribuídos, pelo Judiciário e pelo Ministério Público, a instituições que se candidatam a recebê-los. Esta já é a quinta concessão de valores”, explica o presidente do TRT da 15ª Região.

Ele fez menção a repasses anteriormente feitos a instituições como o Hospital de Câncer de Barretos, o Centro Infantil Boldrini e o Hospital Estadual de Sumaré (SP). “Na verdade, estamos aqui fazendo um ato de Justiça. Decorre esse ato de violações à lei e sofrimentos. Isso significa que estamos transformando o limão, do sofrimento de nossos trabalhadores e da população atingida, em uma limonada para aqueles que vão receber essa assistência”.

De acordo com Adriana Brasil, ”o caso Shell/Basf é a materialização da obstinação de profissionais (do MPT e do Judiciário) comprometidos com a vida, que perseveraram e mudaram a história da Justiça do Trabalho do Brasil”. “Promoveram, na verdade, uma intervenção muito maior do que muitos estadistas ou mesmo médicos e profissionais de Saúde”, elogiou, em seu discurso.

“Sobre a tragédia que acometeu Paulínia, nada poderá restaurar as vidas perdidas, as famílias devastadas pela dor dos que partiram, as sequelas dos que ficaram e as incertezas que as gerações futuras ainda viverão”, disse a médica, antes de pedir alguns segundos em sinal de respeito às vítimas. “Não conseguiremos trazê-las de volta, mas podemos honrar o seu sofrimento”, acrescentou Adriana.

O secretário municipal de Saúde de Piracicaba, Pedro Mello, frisou a importância do novo hospital. “Hoje, 20% da população falecem de câncer, e muitas vezes essas pessoas já chegam à unidade de Saúde em estágio avançado da doença. A estrutura que está sendo criada tem o fundamento da prevenção, do rastreamento da doença, nas formas mais precoces”, afirma Mello, que diz que “o hospital será mais um equipamento que vai ajudar a complementar a rede pública municipal de Saúde”.

Paulo Cretana, um dos procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) que atuou na elaboração da ação civil ajuizada na 2ª Vara do Trabalho de Paulínia, salienta que “uma Comissão do MPT (formada por quatro procuradores) vai acompanhar a execução do projeto”.

Participaram, ainda, da cerimônia, a procuradora-chefe do MPT, Maria Estela Guimarães De Martin, a juíza Antonia Rita Bonardo (da 2ª Vara do Trabalho de Paulínia) e o procurador do MPT, Ronaldo José de Lira.

'É atender os mais sofridos'

A unidade oncológica vai replicar o modelo de rastreamento ativo de câncer já implantado em seis unidades do Hospital do Câncer de Barretos, que há uma década atua como parceiro Iumina. Atenderá pacientes de Piracicaba e de outros 26 municípios.

“Estou feliz e honrado por estar aqui avalizando uma instituição que se pôs a fazer um caminho da prevenção do câncer, que sabemos que é o único remédio que existe contra a doença”, afirma Henrique Duarte Prata, presidente do Hospital do Câncer de Barretos.

Segundo Prata, o Ilumina vai atender uma necessidade “que é a cobertura de uma área muito maior”, com o princípio de atender as classes mais sofridas que dependem do SUS (Sistema Único de Saúde).

“Vamos fazer com o SUS o que nenhum serviço privado do município de Campinas ou de Piracicaba vai fazer para quem tiver dinheiro, graças a essa parceria com o MPT”, declara Prata. “A região de Campinas, por mais que a gente ache que é o centro do Brasil, ela é tão pobre e miserável no cuidado com a saúde dos pobres quanto o município mais distante da Amazônia”, acrescenta.

Por ano, a hospital deve realizar 20 mil mamografias, 16,5 mil exames de papanicolau, 10.370 consultas especializadas, quase 75 mil atendimentos, 15 mil consultas de teledermatologia, três mil cirurgias ambulatoriais e cerca de 61,2 mil procedimentos especializados.

FONTE: Gazeta de Piracicaba

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